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Edição 2015

Escrito em 29/08/2017
Sebrae Alagoas


A edição 2015 da Feira do Empreendedor de Alagoas escolheu como tema transversal do evento o critério “Lideranças Transformadoras”, da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

A ideia foi enaltecer os empreendedores alagoanos que mudaram suas realidades e influenciaram a transformação do seu entorno, evidenciando talentos e, acima de tudo, servindo de exemplo para o fortalecimento da identidade local e para o resgate da autoestima do povo alagoano.

Diversos grandes líderes foram pesquisados e estudados, até que 16 deles foram selecionados e homenageados no evento. Para a escolha desses nomes, foram contemplados os seguintes critérios: ser alagoanoser referência em seu meio de atuaçãoter transformado sua realidadeser inspirador e exemplar para a comunidade ou sociedadeter desenvolvido ações que beneficiem o seu entornoter interação com a comunidade que vive (ou vivia)valorizar sua cultura.

 

Foram consideradas as Lideranças Transformadoras do Estado de Alagoas:

 

Graciliano Ramos

Foi e ainda é referência como romancista, cronista, contista, jornalista, político, memorialista, gestor público e escritor. Foi eleito Alagoano do Século XX, visto que deixou um legado político e cultural ainda muito atual por gerações. Como prefeito de Palmeiras dos Índios, foi um grande exemplo, e virou inspiração para toda uma sociedade da época à medida que demonstrava sério compromisso com o destino do brasileiro, principalmente daqueles que sofriam e eram explorados.

 

Aurélio Buarque de Holanda

 

Como crítico literário, lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor e ensaísta brasileiro, transformou a realidade não só de um povo, mas de uma língua e de uma nação. Mesmo com uma carreira de sucesso no Rio de Janeiro, tinha na sua terra natal um aconchego, à medida que imergia no povo de sua origem. Seu maior legado é percebido em sua vasta produção intelectual, destacando a essência da cultura popular e erudita. Inovou ao introduzir citações de outros autores ao lado da definição das palavras. Recebeu vários prêmios e é considerado um ser inspirador e exemplar para a sociedade.

 

Nise da Silveira

 

Foi uma primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina, e construiu uma carreira de referência como renomada médica psiquiatra, aluna de Carl Jung. Seu maior legado é ter desenvolvido ações que beneficiaram o seu entorno, com um trabalho pioneiro na luta antimanicomial no Brasil e com estudos sobre o comportamento humano e o tratamento de patologias psicológicas, como a esquizofrenia. Foi agraciada com diversas condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento.

 

Djavan

 

Como cantor negro, nordestino e valorizador da cultura, sua terra natal sempre esteve presente em sua melodia. Seu legado é verificado na originalidade e na versatilidade de tons. Em três anos, compõe mais de 60 músicas, de variados gêneros. Sua arte passa a ser reconhecida em meados da década de 70, quando grava o seu primeiro álbum. Recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, com destaque para o de melhor compositor pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, e o reconhecimento do público internacional, que levou ao convite da CBS (Sony Music) para morar e desenvolver a sua carreira nos EUA. Serviu de inspiração para vários cantores das mais diversas regiões do país e tornou-se figura incontornável na história da música brasileira, um talento inspirador para todo o país.

 

 

Hermeto Pascoal

 

Autodidata, considerado um gênio da música, é uma referência como compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro (toca acordeão, flauta, piano, saxofone, trompete, bombardino, escaleta, violão e diversos outros instrumentos musicais). Construiu um legado como o “grande senhor dos sons”, trazendo novas experimentações musicais e sempre estudando e pesquisando novos sons. Outra característica desse grande líder é o uso dos mais distintos artefatos, como foices, enxadas, machados e garrafas.

 

Nelson da Rabeca

 

Considerado um dos músicos mais importantes da cultura nordestina e o maior rabequeiro do Brasil, aprendeu a tocar rabeca sozinho, aos 54 anos de idade, ao ver um violino pela televisão. Seu primeiro instrumento foi feito por ele mesmo. Além de rabequista, é acordeonista, e serve de inspiração para a comunidade de Marechal Deodoro, desenvolvendo ações que beneficiam o seu entorno, valorizando, também, a cultura local.

 

João das Alagoas

 

Começou a viver da arte em 1987, e, desde então, formou diversos mestres, como a nossa conhecida “Sil”, e mais de 50 outros artesãos. Artista, facilitador e empreendedor, já recebeu diversas premiações, entre elas, a Comenda Zumbi dos Palmares, durante o governo de Teotônio Vilela. Sem perder esperanças e vontade de crescer, inova nas suas técnicas e enriquece seu trabalho, além de repassar seus conhecimentos para outras pessoas.

 

Teotônio Vilela

 

O “Senador da Anistia”, o “Senador das Diretas Já”, é, ainda hoje, referência como jornalista, cronista, ensaísta, empresário, político, boêmio e poeta. No Senado, atuou como membro titular das comissões de Economia, Agricultura, Redação, Ajustes Internacionais, Legislação, Energia Atômica e Indústria e Comércio. Foi reconhecido durante o Governo Militar como porta-voz da bandeira da redemocratização, além de ser lembrado como “Guerreiro da Paz”, “Peregrino da Democracia”, “Senhor Dignidade” e “Menestrel das Alagoas”. Foi um filósofo e humanista que olhou o Brasil com amor e coragem.

 

Maria Cândida Sarmento

 

Considerada uma das mais talentosas estilistas do país, fundou , em 1975, em sociedade com a prima Malba Pimentel de Paiva, a marca Maria Bonita – nome em homenagem à mulher de Lampião. A grife chegou a contar com 13 lojas próprias, distribuídas em cinco capitais, e mais três franquias. Sua trajetória empreendedora percorreu o trabalho com bordado e tricô, e levou também à criação de uma linha de lingerie em seda. Foi a primeira a levar a grife carioca para a Rua Oscar Freire, a meca da moda paulistana de alto-padrão. Inspirou e inspira milhares de pessoas, com o título de maior estilista brasileira.

 

Vera Arruda

 

Durante o período que viveu em Alagoas, foi artista plástica e vitrinista. Em 1997, mudou-se para São Paulo em busca de seu sonho. Durante a sua carreira empreendedora, desenhou figurinos para artistas como Ivete Sangalo, Astrid Fontenelle, Margareth Menezes, Xuxa, Chitãozinho e Xororó, Timbalada, Leonardo, Daniel e Miguel Falabella, entre outros. Seu trabalho tipicamente brasileiro, com patchwork de tecidos nobres, bordados, pedrarias e flores, ficou marcado pela valorização da cultura nacional. Nos anos 90, foi a primeira estilista a resgatar o nacionalismo, criando um vestido de franjas com a bandeira do Brasil.

 

Martha Medeiros

 

Estilista reconhecida nacional e internacionalmente pelo uso de rendas em suas criações, promoveu o resgate histórico do trabalho das artesãs de sua região, conquistando capas em revistas como Elle, Vogue e outras importantes publicações de moda. Hoje, com o uso de cores tropicais e que remetem ao nacionalismo brasileiro, produz 20 peças por mês, sob medida, que se inserem nas lojas em São Paulo e Maceió e em mais de 20 pontos de venda espalhados pelo Brasil e por endereços internacionais, incluindo a inglesa Harrods e a badalada Bergdorf Goodman, endereço nobre de Nova York, onde divide espaço com grifes como Elie Saab e Marchesa.

 

Cícera Cupira

 

Exemplo de mãe, mulher, produtora rural, professora e líder comunitária, ficou conhecida por conseguir transformar a realidade não só de seu povoado, mas de uma geração de produtores, mulheres e crianças. Para repassar seus conhecimentos adquiridos com as experiências, cursos e viagens, começou a ministrar aulas de graça para a comunidade, mesmo tendo estudado apenas até a quarta série. Venceu uma cultura machista e passou a sustentar a família com a força de seu trabalho. É não só uma referência na agricultura familiar, mas também na desmistificação dos limites do gênero, de formação e de superação.

 

Thiago Pereira da Silva

 

Empresário na área de serviços de Tecnologia da Informação, sua trajetória como líder empreendedor e transformador da sua realidade se intensificou quando integrou o Arranjo Produtivo Local de TI em 2008. Desde então, desenvolveu projetos que vêm rendendo importantes premiações, como o Prêmio MPE Brasil, em 2011 e 2014, e o Prêmio Nacional da Inovação, em 2015. Ficou conhecido nacionalmente desde 2012, através do Programa Pequenas Empresas Grandes Negócios. Em 2013, alcançou destaque pela Revista Recicla, como empresa pequena e inovadora. Hoje, é voluntário do projeto de liderança para jovens universitários e recém-formados pela Fundação Estudar, e já capacitou mais de 80 jovens.

 

Neuzete Domingos Silva

 

A empreendedora, consultora e contadora Neuzete sempre quis fazer diferente e inovar no seu trabalho. Com muita dedicação, conseguiu transformar seu escritório em um dos maiores de Alagoas, com 50 funcionários empregados e cerca de 300 clientes. Desde o início, sempre se preocupou com atividades sociais, atendendo cinco lares para crianças, jovens e idosos e prestando serviços de contabilidade voluntária para ONGs e entidades assistenciais. Com a evolução desse trabalho, foi criada a ONG Análise Sorriso do Bem. Recentemente, comprou a Revista Visão Alagoas, e escreve sobre mudanças da contabilidade. Seu blog também é uma fonte de informações para a comunidade. Sua meta, agora, é se tornar uma franquia.

 

Irmãs Rocha

 

Essas irmãs foram pioneiras como chefs da Comida Alagoana, difundindo um legado gastronômico que preservou as raízes da culinária local, mesclando-as à cozinha de engenho, à influência europeia e à influência dos índios e negros da região. No Restaurante Irmãs Rocha, um exemplo de empreendedorismo de senhoras, valorizaram a cultura local, assim como quando publicaram um livro com centenas de receitas de família. Além de serem ícones da cozinha local, as Irmãs Rocha inspiraram chefs em todo o Brasil.

 

Carlos Wanderlan de Amorim Soares, José Thadeu Maciel Marques Luz Filho e Ronaldo Tenório de Freitas – Hand Talk

 

O grande propósito desse grupo era o fazer algo novo, que ajudasse as pessoas de alguma maneira, e que trouxesse retorno financeiro. Estudaram, pesquisaram e desenvolveram um aplicativo que transformou a realidade e causou impacto na vida de milhares de pessoas da comunidade de deficientes auditivos no Brasil. Inspiraram empreendedores a pensarem em novas perspectivas e a buscarem os seus sonhos. Ganharam diversas premiações nacionais e internacionais e se tornaram exemplo para outras startups alagoanas. A genialidade é marcante no trio, que deixa uma obra monumental na ciência, visto que o aplicativo já está presente em TCCs, Mestrados e Doutorados, e é citado em livros de empreendedorismo social.

Gostaríamos de registrar que o livro Lideranças Transformadoras de Alagoas, resultado da pesquisa feita pelo Sebrae para a Feira do Empreendedor 2015, estará disponível para download no site www.sebrae.com.br/alagoas